O interesse em compreender o sertão do Piauí foi tangenciado no mestrado em educação da UFPI, concluído em 2005. Mas foi durante as aulas da disciplina de Pensamento Brasileiro, da qual sou professora no curso de Licenciatura em Ciências Sociais, na Universidade Estadual do Piauí, em Teresina, que as ideias foram mais bem organizadas. Naquele momento, a tentativa era de promover uma aproximação analítica do sertão como categoria axial na construção do Brasil, em suas múltiplas dimensões. Entendia que o sertão não era apenas uma região, era, também, uma categoria histórica sociocultural. Objetivava, ainda, entender os múltiplos tipos que povoam o pensamento sobre a formação da sociedade brasileira, em geral, e da piauiense, em particular, transfigurados na figura do vaqueiro, mas também do “bandeirante”, do “índio”, do “colonizador”, do “desbravador”, do “aventureiro”, do “boiadeiro”, do “fazendeiro”, do “vareiro ou mareante”, da “casa”, da “fazenda”, do “boi”, da “capela”. Para promover uma abordagem sobre o sertão do Piauí, no contexto das ideias de sertão e Brasil, recorri não somente às leituras acadêmicas, mas também a outras linguagens, principalmente à produção literária combinada com cinema, fotografia, desenhos, ilustrações e música. Desse modo, foi uma oportunidade para adentrar na polissemia que é o sertão e estudar como essa categoria continua a impulsionar o pensar sobre o Brasil. Durante as aulas, os discentes apresentaram reflexões a partir das leituras dos clássicos do pensamento brasileiro e piauiense. Talvez tenhamos compreendido, ao menos em parte, o que disse Euclides da Cunha sobre os sentidos e significados de Terra ignota. De como essa categoria sertão estará sempre na “ordem do dia, até hoje e ainda o será por muito tempo. O que se segue são vagas conjecturas” (CUNHA, 2011, p.12). A experiência em sala de aula foi uma inspiração para realizar o doutorado e assim como aqueles letrados das províncias, também fui para o Sul do país, e nesse caso particular, cursar doutorado no Programa de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na linha de pesquisa Materialidade, ideologia e vida cotidiana nas culturas modernas, já que no Piauí não há doutorado na área. Comecei no programa com muitas reflexões e algumas outras questões de pesquisa tais como: Afinal, o que era sertão e como o sertão do Piauí, em particular foi assimilado e transfigurado no pensamento brasileiro e regionalista? Como abordavam o tema que respondia por uma diversidade de formas de pensar o Brasil, a sociedade, a cultura, regiões e regionalidades? Em se tratando de um tema clássico para a historiografia, a literatura e as Ciências Sociais, quais ideias serviram de engajamento e interpenetração entre os autores e obras do pensamento brasileiro e regionalista na imprensa, editoras, academias e demais espaços de produção e exposição de conhecimento, no período que se estende de meados do século XIX até um pouco depois de 1945, do século XX?
O título deste blogger "Proezas dos sertões piauiense" é uma homenagem aos sertões do Piauí, cujo aspecto espacial e temporal foi ampliado, para estabelecer comparações, contrastes e interpenetrações. Trata-se de um estudo, ou uma série de estudos, sobre um tema amplo e clássico de autores e obras do pensamento brasileiro e regionalista.
Ideias, temas e outras colagens
"Monções" ou "caminho que anda": a navegação fluvial pelo sertão do Piauí.
Os intelectuais piauienses na vida da comunidade
Os intelectuais da academia piauiense de letras (1917). Em pé, da esquerda para a direita: Jônatas Batista, Celso Pinheiro, Lucídio Freitas, Antônio Chaves, Benedito Aurélio de Freitas (Baurélio Mangabeira) e Edison Cunha; sentados, na mesma ordem: Fenelon Castelo Branco, Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e João Pinheiro. FONTE: Domínio público/academia.org. br/academiapiauiensedeletras/acesso 15/07/2018.
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